Quarta onda de COVID no Brasil é “bomba-relógio”, alerta pesquisador Lucas Ferrante

A quarta onda da pandemia no Brasil está ocorrendo em meio a uma combinação explosiva de fatores: estagnação nas vacinações, fim da emergência de saúde COVID-19, aumento da disseminação das subvariantes BA mais infecciosas e resistentes à vacina.4 / 5 Omicron, o abandono das medidas de mitigação mais básicas, como o uso de máscara em locais fechados, e a chegada do inverno.

Na terça-feira, o Brasil registrou uma média móvel de 147 mortes e 40.174 casos, um aumento de 21% e 10%, respectivamente, em relação a duas semanas atrás. Além da enorme subnotificação, seis dos 27 estados brasileiros não divulgaram nenhum dado da pandemia.

Para Lucas Ferrante, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com quem o WSWS conversou no último sábado, essa situação transformou o Brasil em uma “bomba-relógio” que pode levar a um novo colapso sanitário nas próximas semanas.

Estudos liderados por Ferrante mostraram que a reabertura das escolas no final de 2020 em Manaus, capital do Amazonas, desencadeou o surgimento da variante Gamma, responsável por dois terços das mortes por COVID no Brasil. Hoje, principalmente depois que todos os estados brasileiros acabaram com o uso obrigatório de máscaras nas salas de aula, o papel das escolas como vetores de transmissão do vírus é mais do que claro.

Nas últimas semanas, houve vários surtos entre comunidades escolares inteiras em todo o país. “Escolas e universidades são as formas mais rápidas de aceleração da transmissão viral”, explicou Ferrante. “Hoje estamos replicando isso em um cenário muito mais catastrófico, sem uso de máscara, salas de aula superlotadas e baixa circulação de ar, além de uma variante mais resistente e baixa proteção vacinal… Experimentaremos uma explosão de casos e mortalidade, inclusive em crianças.”

Surto de outras doenças infecciosas e quarta onda no Brasil

A reabertura generalizada das escolas no final do ano passado, quando a frequência de alunos em escolas inseguras se tornou obrigatória, e o abandono das medidas de mitigação no Brasil levaram a surtos fora de época de outras doenças infecciosas.

Em dezembro passado, em meio ao início da terceira onda causada pela subvariante BA.1 Omicron, o Brasil passou por um surto de influenza A e B que inundou hospitais. Então, desde março, com o início do ano letivo e o fim da obrigatoriedade das máscaras nas salas de aula, houve um aumento dos casos de bronquite aguda, causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que lota as UTI pediátricas desde o início de maio em todo o país.

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No entanto, Ferrante apontou dados de meados de maio, quando a mídia corporativa brasileira ainda se perguntava se o Brasil teria uma quarta onda, que mostrava que “o vírus sincicial respiratório é predominante apenas em crianças menores de 9 anos”. Agora, de acordo com ele, “estamos vendo as taxas de positividade de teste muito baixas para influenza A e B, vírus sincicial estabilizado e COVID-19 aumentando exponencialmente em todas as faixas etárias, especialmente em crianças e adultos de meia-idade”.

Indicando que os dados do início de junho do instituto epidemiológico brasileiro FIOCRUZ mostraram um “forte sinal de crescimento nas tendências de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS)”, Ferrante acrescentou: “esse aumento da SARS a cada semana epidemiológica é COVID-19. Estamos em meio a uma onda de COVID-19 causada por uma variante cujas vacinas ainda têm eficácia de proteção, porém estamos entrando em uma fase em que novas variantes já introduzidas no Brasil começarão a se tornar prevalentes e as vacinas não funcionam bem contra essas variantes.”

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