O que aprendi (e não aprendi) com minhas desventuras de namoro no Brasil / Queerty

Namorar é uma merda, né? Um dia, você está pegando pizza com sua melhor amiga em roupas de ginástica; no próximo, você está no Taco Bell com um estranho fingindo que não tem sete doenças mentais. Além disso, por baixo do seu cabelo penteado, Curious de Britney Spears e Spanx, você está comparando o estranho com os outros cinco com quem você saiu naquela semana. “Ele é mais fofo do que aquele cara que me levou para a feira ren, mas não tão fofo quanto aquele cara que tinha piolho”, você pensa, assumindo que a frase que você está pensando é universal e relacionável. Finalmente, no final da noite, apesar de ter escondido com sucesso sua nova espinha e o antigo alcoolismo, você ainda acaba comendo pizza com sua melhor amiga novamente. Ah, e você tem 33 anos.

Bem, o mundo está mudando vocês, e pessoas confusas com passado de dormir acidentalmente com homens sem-teto podem ter uma vida melhor. Eles podem se mudar para o Brasil. Estou falando de mim agora. Eu sempre falava de mim.

Embora a pandemia tenha desarraigado muitos trabalhadores americanos, não teve o mesmo efeito em mim. Eu estava trabalhando remotamente muito antes do dia em que o primeiro Kool-Aid Man do Covid-19 entrou em nossas vidas. Mas eu sempre tive muito medo de deixar Nova York. Tornar-se nômade, desistir de seu apartamento suado, abandonar a corrida dos ratos… Isso é tudo antitético ao sonho americano. Mas o Covid me mudou. Ao perceber que tudo o que tínhamos dado como certo – comer fora, intimidade, audiências ao vivo na televisão – poderia desaparecer com a queda de uma chamada de Zoom, finalmente prometi nunca deixar as oportunidades passarem novamente. Assim que foi seguro, parti para explorar o mundo – e tentar a minha sorte namorando internacionalmente.

READ  Democratas da Câmara aumentam pressão sobre comércio agrícola brasileiro

Enfim, foi assim que acabei no Brasil. E deixe-me dizer-lhe, namorar já é difícil o suficiente quando você não tem que aprender também uma língua estrangeira inteira. Sim, alguns gays brasileiros falam inglês… Mas se você é queer, então as opções já são limitadas – então por que se bloquear? Além disso, ir a encontros em português é selvagem. Eu posso estragar completamente pelo menos cinco frases durante um encontro – tipo, a ponto de o cara literalmente dizer “Huh” – e ainda ter algum poder mágico sobre ele que o faz pensar em frases como “Vamos nos beijar agora, quente homem” são sexy. Ser estrangeiro falando com sotaque é um superpoder. Ser analfabeto limítrofe é um truque de vida.

Também aprendi a relaxar e aproveitar meus encontros aqui, em vez de tratá-los como terapia. (Minhas sessões de terapia são shows de stand-up onde eu pago para me ver.) No Brasil, namoro é simplesmente parte da vida – seu fluxo e refluxo é tão natural quanto as ondas que beijam a praia de Ipanema. Não é uma tarefa árdua ou uma busca paralela encontrar o Único; não é uma oportunidade para provar a si mesmo diante de um grande mal. É uma chance de viver o momento, de conquistar o rosto de alguém, de desafiar a apatia e sentir algo. Há menos uma questão de “para onde isso está indo” e mais uma questão de “onde estamos nos beijando”. Em Nova York, passei tantas noites me perguntando se poderia fazer melhor, quando deveria estar apenas apreciando que estava fazendo o meu melhor.

A ênfase do Brasil no aqui e agora também pode levar a encontros casuais inesquecíveis. Um dia, eu estava lendo em umas pedras em uma parte isolada da Praia Mole de Florianópolis quando, com o canto do olho, um estranho chamou minha atenção. Ele estava olhando para mim, então eu olhei para trás. De repente, ele olhou para cima; Baixei o olhar. Lentamente, corajosamente, levantei minha cabeça novamente. Em cinco minutos e algumas gentilezas (literalmente quatro frases), estávamos nos beijando. Falcões do mar circulavam acima de nós enquanto a maré subia ao nosso redor. Não me lembro do nome dele. Jamais esquecerei o momento.

READ  Diálogo aprofundado da pré-temporada da F1 é esperado na Curva 4 do Brasil

Claro, a desvantagem de estar imerso em uma cultura descontraída – para mim, pelo menos – é que o planejamento pode se tornar inútil. Se estiver abaixo de 65 graus Fahrenheit, esqueça. Aquele brasileiro que eu ia conhecer não vai sair de casa agora. E se o ônibus dele estiver demorando muito, desculpe. Nosso encontro é agora na próxima semana. Eu só tenho que mandar uma mensagem para um amigo como um plano de backup. (Mas se esse amigo é brasileiro e está abaixo de 65 graus… Bem…) Desnecessário dizer que minha paciência melhorou aos trancos e barrancos aqui no Brasil. E parei de ver os encontros como compromissos e comecei a tratá-los mais como aventuras.

Mas se você pensou que minhas noites românticas e emocionantes eram algo especial… Bem, pense novamente. Os brasileiros tratam seus acompanhantes como reis e rainhas, mas também tratam seus outros 500 acompanhantes – assim como seu entregador de sushi, instrutor de ioga, farmacêutico e chinelos (tipo, nem mesmo a pessoa que vende os chinelos; como , os chinelos reais) — da mesma forma. Você pode até ter a melhor noite da sua vida com alguém, então vê-lo com outro homem no dia seguinte. E, claro, você estará com outro homem também. E é claro que você vai acenar para aquele cara com quem você saiu ontem à noite. E ele vai acenar de volta. E então seu par e o par dele vão acenar, porque eles estavam em um encontro ontem à noite também. E então um adorável cão de rua vai andar sobre três patas e latir e vocês serão amigos para sempre.

Ainda assim, com tudo o que foi dito, encontrei muitas das mesmas armadilhas aqui que encontrei nos EUA. Ainda há homens que se odeiam no Grindr com “macho 4 macho” espalhado em seu perfil. E recentemente fui bloqueado no Grindr por ter 5’7”. E evitei a interação pública com pelo menos cinco caras diferentes que me enviaram fotos de suas partes masculinas. E no mês passado eu tive que usar o Google Tradutor na minha farmácia local porque eu não sabia como dizer em português, “Socorro, eu tenho piolho”.

READ  Regulador antitruste do Brasil aprova venda da refinaria da Petrobras

Aprendi muito e levarei essas lições comigo para sempre – mas namoro ainda é namoro. Posso estar no Brasil, mas ainda estou na Terra.

Evan Lambert (ele/eles) é um jornalista de carreira, ensaísta e escritor de contos que escreveu para o Mic, o Santa Fe Writer’s Project e, mais recentemente, para o INTO. Se você gostou da peça de hoje, dê um alô pra ele no Insta @icantevannnn ou confira seu outro trabalho em www.evanlambert.contently.com.

Teremos o maior prazer em ouvir seus pensamentos

Deixe uma Comentário

DETRASDELANOTICIA.COM.DO PARTICIPE DO PROGRAMA ASSOCIADO DA AMAZON SERVICES LLC, UM PROGRAMA DE PUBLICIDADE DE AFILIADOS PROJETADO PARA FORNECER AOS SITES UM MEIO DE GANHAR CUSTOS DE PUBLICIDADE DENTRO E EM CONEXÃO COM AMAZON.IT. AMAZON, O LOGOTIPO AMAZON, AMAZONSUPPLY E O LOGOTIPO AMAZONSUPPLY SÃO MARCAS REGISTRADAS DA AMAZON.IT, INC. OU SUAS AFILIADAS. COMO ASSOCIADO DA AMAZON, GANHAMOS COMISSÕES DE AFILIADOS EM COMPRAS ELEGÍVEIS. OBRIGADO AMAZON POR NOS AJUDAR A PAGAR AS TAXAS DO NOSSO SITE! TODAS AS IMAGENS DE PRODUTOS SÃO DE PROPRIEDADE DA AMAZON.IT E DE SEUS VENDEDORES.
Portal On Jack