Amazônia brasileira bate mais um recorde de desmatamento

Mais um mês em 2022, mais um anúncio de desmatamento recorde na Amazônia brasileira.

No mês passado, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil informou que a floresta tropical experimentou um desmatamento recorde durante os primeiros três meses do ano. Agora, a agência diz que as taxas de desmatamento de abril bateram o recorde do mês, refletindo as políticas extrativistas do presidente brasileiro de direita Jair Bolsonaro.

“A causa desse registro tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro”, Márcio Astrinique lidera o grupo ambiental brasileiro Observatório do Clima, em comunicado divulgado pela Reuters.

A floresta perdeu 390 milhas quadradas durante os primeiros 29 dias de abril, disse a agência. Ele irá relatar os números para o último dia do mês no final desta semana. O desmatamento em abril aumentou 74% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o anterior recorde de abril foi definido, informou a AP News.

O recorde de abril também é o terceiro recorde mensal estabelecido este ano: janeiro e fevereiro também registraram desmatamento recorde, segundo a Reuters. Além disso, os primeiros quatro meses de 2022 também quebraram um recorde para os primeiros quatro meses de um ano, vendo 754 milhas quadradas de floresta desmatada, uma área com mais que o dobro do tamanho da cidade de Nova York. Isso também é 69% a mais do que durante o mesmo período em 2021.

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Essa quantidade de desmatamento é especialmente preocupante porque Brasil está atualmente em sua estação chuvosa, informou a Al Jazeera. Este é um momento em que normalmente é mais difícil para os madeireiros cortar árvores.

“Esse número é extremamente alto para este período do ano”, disse a diretora científica do World Wildlife Fund Brasil, Mariana Napolitano, em comunicado divulgado pela Al Jazeera. “É um alerta da imensa pressão que a floresta está sofrendo.”

Outro sinal alarmante é a região onde o desmatamento está ocorrendo, segundo a AP News. O estado do Amazonas registrou mais desmatamento em abril do que os estados do Pará e Mato Grosso. Isso é preocupante porque o Amazonas é mais remoto e tem mais floresta intocada. No entanto, Bolsonaro prometeu pavimentar um trecho de 250 quilômetros da rodovia BR-319 no sul do estado, onde o desmatamento está concentrado. Essa promessa levou à derrubada ilegal de árvores, pois os especuladores esperam que o pastoreio de gado ou a agricultura se tornem legais assim que a estrada for pavimentada. Este abril marca apenas a segunda vez registrada que o Amazonas viu o maior desmatamento.

“O Amazonas ainda é um estado muito preservado. Se o desmatamento explodir lá, perderemos o controle de uma região que está fora da região tradicional de desmatamento”, disse a especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, à AP News.

A floresta amazônica é um importante sumidouro de dióxido de carbono e preservá-la é vista como essencial para combater a crise climática. No entanto, os cientistas estão preocupados que possa chegar a um ponto de inflexão se o desmatamento persistir, convertendo-se em pastagens e liberando dióxido de carbono em vez de armazená-lo.

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Bolsonaro foi criticado pela comunidade internacional por causa de suas políticas que enfraquecem as proteções e regulamentações ambientais, bem como os direitos indígenas. Ele está atualmente em campanha para a reeleição em outubro, de acordo com a Al Jazeera.

Em resposta, ator e ativista Leonardo DiCaprio instou os brasileiros a se registrarem para votar no Twitter no final do mês passado.

“O Brasil abriga a Amazônia e outros ecossistemas críticos para as mudanças climáticas”, escreveu ele. “O que acontece lá é importante para todos nós e o voto dos jovens é a chave para impulsionar a mudança para um planeta saudável”.

A diretora científica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Ane Alencar, disse à Reuters que o desmatamento provavelmente continuará aumentando até a eleição, já que as autoridades tendem a não reprimir atividades ilegais durante os anos eleitorais por medo de alienar os eleitores.

“Parece que a derrubada de florestas se institucionalizou no país como algo comum, com registro após registro”, disse ela à Reuters.

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