Prejuízo na região da Amures supera R$ 44 milhões

Mais de 48 mil pessoas foram atingidas pelas fortes chuvas deste mês, nos 18 municípios da Serra Catarinense. Para restabelecer a situação de normalidade serão necessários R$ 44.691.644,00. Os dados são parte de um relatório finalizado pela equipe da Amures nesta quarta-feira (14), a pedido do presidente da entidade prefeito de Otacílio Costa Luiz Carlos Xavier.

O documento completo foi enviado nesta tarde, à deputada federal Carmen Zanotto e ao senador Dário Berger que acompanharam o ministro da Integração Nacional Helder Barbalho, em visita à região na segunda-feira para verificar os danos. Com o documento será possível através do Fórum Parlamentar Catarinense solicitar ao presidente da República Michel Temer, a edição de Medida Provisória (MP) para liberação de recursos considerando a urgência e relevância dos problemas.

“Em Otacílio Costa as águas ainda estão baixando. Os prejuízos são enormes e temos comunidades, ainda isoladas. Este documento produzido pela Amures tem o propósito de ajudar a agilizar a liberação de recursos”, explicou Luiz Carlos Xavier. O levantamento aponta que só na agricultura serão necessários R$ 11.646.000,00 para recuperar os prejuízos.

Apurado direto com os prefeitos e coordenadores de Defesa Civil, o relatório da associação de municípios inclui também os três municípios que não decretaram situação de emergência. São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici que registraram prejuízos em pontes, bueiros e estradas até maiores que outros municípios, mas os prefeitos entenderam não haver a necessidade de situação emergencial, porque não tinham pessoas atingidas diretamente.

“Ocorreram casos de pessoas isoladas, mas atendemos as demandas e equacionamos os problemas. Nossa malha viária ficou muito danificada e o prejuízo estimado é de R$ 500 mil para voltar à normalidade”, comentou o prefeito de São Joaquim Giovani Nunes. Considerando mais os estragos na agricultura e pecuária, o município amarga um prejuízo de R$ 700 mil.

 

 São José do Cerrito continua isolado

 

Um dos casos mais graves de isolamento causado pelas chuvas é São José do Cerrito. Uma semana sem chuva e a BR-282 permanece interditada no quilômetro 253.  O deslocamento de um grande volume de terra e vegetação bloqueou a rodovia. Para retirar pacientes em estado grave foi acionado até o helicóptero da Polícia Militar, porque as ambulâncias não passam pelo local.

O prefeito Arno Marian e o vice Moacir Ortiz informaram que uma massa de pelo menos 20 mil metros de terra está cedendo naquele ponto da rodovia. “Mais de 200 caçambas de terra são retiradas por dia e continua descendo material para a pista”, cita Moacir Ortiz.

O estado lastimável que ficaram os 1.500 quilômetros de estradas do interior obrigou o prefeito a decretar a antecipação das férias escolares em São José do Cerrito. Praticamente todas as estradas ficaram quase que intransitáveis. Outro ponto que preocupa as autoridades é no quilômetro 270 da BR-282, próximo ao restaurante Garcia. O asfalto também está cedendo e pode repetir o desastre da queda de barreira do quilômetro 253.

Os moradores do Cerrito já sentem a falta de suprimentos básicos como gás de cozinha, combustível, alimentos e principalmente de medicamentos às famílias carentes, pois a farmácia básica não tem como repor os estoques.

Entre pontes pequenas e grandes, ao menos 15 foram levadas ou tiveram parte da estrutura carregada pelas chuvas. Bueiros foram arrancados e lavouras dizimadas nas 36 comunidades do interior. Sem ajuda estadual ou federal, o município não terá condições de restabelecer a normalidade, mesmo que a médio prazo.